quinta-feira, 7 de abril de 2011

Desabafo de uma aula...


Não sei o porquê de pessoas com títulos de mestrado, doutorado, faixa-preta 45º dan – aparentemente empanturradas do grandioso bolo do conhecimento – simplesmente lançam migalhas de conhecimento aos nojentos, miseráveis, ingratos, micróbios, preguiçosos alunos.
Será que só eu me sinto assim? Como mais um micróbio em um caldo primordial de vida que está em um tubo de ensaio (sala de aula, vestibular, entrevista de emprego) sendo esquentado pela pressão da sociedade, em que os professores são algum tipo de cientista ou técnico de laboratório jogando migalhas desse conhecimento e esperando que esses micro-organismos se digladiem para se alimentar e crescer no mundo acadêmico, subindo uns nos outros para tentar sobreviver e quanto mais essa reação é catalisada mais desses minúsculos organismos vão ficando para trás, perecendo no fundo do tubo? 

Por que damos títulos a professores que são verdadeiras enciclopédias, mas que não possuem didática alguma? Pessoas arrogantes e muitas vezes sádicas quando em ambiente de conforto? Eu gosto de imaginar esses doutores como grandes jarras de água, onde a água é o conhecimento: alguns deles são enormes vasos com bocas minúsculas, incapazes de repassar esse conhecimento aos pequenos e humildes copos que somos nós os alunos; outros são jarras menores mas com bocas enormes que não sentem dificuldade alguma em jorrar conhecimento sobre nossas cabeças e nos encher até o topo, que é o nosso limite. É claro que existem também os raros casos dos vasões com bocas gigantes e, realmente, esses são os caras! Aliás, na maioria das vezes eles são muito humildes com relação ao seu vasto conhecimento e, justamente por isso, são respeitados e admirados.
Contudo, são as jarras menores que me preocupam: elas não recebem o devido reconhecimento das outras louças que compõe a cozinha da educação em nosso país.
Isso sem contar as vezes que um professor arrogante, quando inseguro, começa a vomitar seus títulos acadêmicos e profissionais na esperança de que sua argumentação quando contestada ganhe mais força impulsionada pela inércia dos seus diplomas na parede – fica a dica: argumentação baseada na autoridade saiu de moda no período em que Roma era o bam bam bam do mundo.
Então pra você, que foi ministro, juiz, livre-docente presidente de órgão público, gênio da lâmpada, Jaspion e Mestre dos Magos fica a pergunta: qual é o tamanho da boca da sua jarra?